JOSE PORVINHO

José Porvinho, pseudónimo de José Pais, nascido em Grada, Anadia em 1964; tirou Eng.ª Florestal em Vila Real (UTAD) e quando tem tempo e a espaços, é uma série de outras coisas. Iniciou-se com este livro: "Inconfidências e..."; digamos que é o seu Diário de Bolso 2005, editado pela Editora Artescrita e apresentado no encerramento da Feira de Livro de Góis em 25 de Maio último, no dia 31 de Maio no Museu do Vinho de Anadia e no dia 5 de Junho na Biblioteca Municipal da Mealhada. Será entretanto feita nova apresentação em Castanheira de Pêra, no dia 4 de Julho, feriado municipal nesta simpática e bonita vila de Interior, em plena encosta sul da Serra da Lousã - local de trabalho e de residência do autor. O livro tem o preço de 14 € com desconto de 19% neste momento e é totalmente impresso em papel reciclado, podendo ser adquirido através de pedido para o a Wook da Porto editora atraves do site
http://www.wook.pt/ficha/inconfidencias-e-/a/id/448843

Novo Endereço de Internet

Conto a vossa visita a partir de hoje em :
http://www.joseporvinho.net

Feliz Natal


FINALMENTE É NATALkkk

No livro Inconfidências José Porvinho conta...
- Finalmente é Natal - dizem as minhas filhas em polvorosa.
Já andam à vários dias em perfeita excitação e extremamente ansiosas. Por um lado, é bom, que o Natal represente também a alegria, a compensação, a retribuição, a satisfação, e até o efémero do materialismo; por outro lado, não deixa de ser preocupante o esquecimento crescente dos verdadeiros valores natalícios. Tem estado incólume ainda, é o valor da família. Continua a ser o grande dia anual para todas as famílias. Bonito.
O Natal dos nossos filhos, está sobretudo recheado de prendas e embrulhos, mas cada vez mais rodeado de vazios valores e sentidos.
Acho, que tudo o que lhes damos agora a mais, lhes irá fazer uma tremenda falta no futuro. Pois, cria-lhes falsas expectativas de uma vida de muitas facilidades, que... não terão e das ilusões, que... não serão.
Hoje educamo-los a quererem tudo, ensinando-os a não dar o devido valor àquilo que têm e não têm. E depois perdem o interesse e o engenho próprios de quem quer fazer e também ter – e porque não!
Que o Pai Natal, lhes ajude a dar a capacidade de discernir o essencial do acessório, em todas as “prendas”, que se irão atravessar nas suas vidas.
E que o Menino Jesus lhes ajude a proporcionar aquela vontade de acrescentar à vida, sempre mais entusiasmo e toda a maior satisfação.

Solidão

Solidão é incompatibilidade,
De ser e de estar;
Corroendo num mar de gente,
De naufrago sobrevivente.

Solidão é atrevimento,
Desespero que fortalece,
A armadura da capacidade,
De sofrer e passar.

Solidão é escolha ou azar,
Independência aos limites;
Afirmando-se indiferentemente,
Das incompreensões sociais.

Solidão é razão,
De dar negas e dizer sim,
Afirmando e querendo,
Estar só outra vez.

Solidão até que horas,
Ou por quantos mais dias;
Solidão até ao fim,
Aguentando estoicamente.

Solidão é solidez e essência,
Por procuras incessantes
E fugas desconcertantes,
Da nossa própria existência.

Solidão é amargura,
De um vazio por dentro,
Que nos envolve de fardos,
Tão difíceis de carregar.

Solidão é estigma doentio,
Do orgulhoso anti-social,
Teimosamente ancorado,
A uma cela virtual.

Solidão é auto-condenação;
Flagelados e fechados por casa,
Escondidos na multidão,
Amontoados pela vida.

Solidão são falas mudas,
Porque só as ouvem surdamente;
No desespero de quem só sente,
O vazio do seu próprio eco.

Solidão é praga social,
Antítese do que apregoamos;
Fazer tudo por todos,
Mas abandonado, apesar de tudo.

Solidão é desconforto,
De se estar sempre a mais,
Entre tudo e todos e
Até no próprio recolhimento.

Solidão também é sossego,
Na procura e na análise,
Do recolhimento à introspecção,
Na oração e pelo pensamento.

Solidão é fuga constante,
Por quem não é perseguido
E muito menos percebido,
Por todos os seus... amigos.

Serão as indecisões da vida,
As incógnitas do destino
E as decepções do passado,
Que nos tornam incongruentemente sós?

Por fim, encontramos na solidão,
O reencontro a sós,
Capaz de observar e de discernir,
Para onde ir e com quem.

A vida é assim.

A nossa vida?
A vida é assim.
A vida dos outros? Também.
Vida de contrastes e de antagonismos.
Experiências vividas, passados longínquos;
Desejos sonhados, sonhos ultrapassados;
Presente envenenado, doce amargo;
Loucuras por fazer, futuro escondido.
Ansiamos por fazer... esperando dos outros.
Que os outros nos surpreendam e… nos influenciem!

Pecado...

Apetecia-me trazer-vos flores.Queria emprestar-vos música.Gostaria mesmo de vos dar prendas.Adoraria trocar cumplicidades.Desejaria embaciar-vos o olhar com a minha fala.Ainda sonho, fazer-vos também sonhar!
E despejar todo o meu desejo!
E pecar... pecar!
E apesar de todos os preconceitos e constrangimentos;
Reincidir, reincidir... no pecado!!!

Japoneiras

Benfica - Crises

3 Agosto
CRISES

Dizia-se que o mal do país; com o agravamento da crise nacional, de ano para ano, vinha desde que o Benfica tinha sido a última vez campeão nacional (1993/1994).

Pois é, a partir daí, tem sido sempre a descer.

Para não dizer, a afundar a nau nacional em termos financeiros.

A derreter a nossa viabilidade económica, com a crise a deixar mazelas, em todos os bolsos.
Terá sido mera coincidência, ou de facto, consoante se ia agudizando a crise no Benfica, também o país, lhe ia seguindo paulatinamente as pisadas. Com insucessos sucessivos a abundarem, com desmotivações e pessimismos à mistura, com ilusões e enganos permanentes; mas... a perderem capacidade concretizadora, a desbaratarem património, a darem cabo do bom nome, a banalizarem funções e objectivos, e depois, claro... na tesura!
Com o passar dos anos, a angústia benfiquista foi crescendo, o desnorte foi quase duplamente completo, e até a própria esperança ia esmorecendo. Também o país ia sem vento para tanta popa, arremedando o Benfica e assumindo finalmente a crise instalada. E tentaram explicar e voltaram a enganar-nos; mas ela, tal qual as derrotas benfiquistas, também já era dolorosamente sentida.
Começava-se a dizer (a brincar, é claro), que só quando o Benfica voltasse a ser campeão, é que finalmente voltava a sentir aquela alegria e a motivação suficiente, para começar-mos a dar a volta à crise. Pois, só aí é que teríamos a tão apregoada e desejada retoma. E passava-se mesmo à explicação: pois se a rentabilidade do nosso trabalho, era assim... a modos... como que... muito aquém (e pelos vistos, continua a ser); isso seria, porque sendo a maior parte do país benfiquista e que andavam todos demasiado em baixo e suficientemente deprimidos e tristonhos, para fazerem algo a mais e melhor. Como tal, …
Até que finalmente, o SLB começa a recuperar e a empolgar-se e a redimir-se e a acreditar e zás:

O S. L. Benfica é campeão.
- “Campeões, campeões, campeões…”


O campeonato, como nunca antes acontecera, foi espectacularmente atípico. Parece mesmo, que todos os clubes estiveram em crise; e assim, com todo o mérito, o Benfica foi o justo campeão – também era o que já estava mais habituado a saber lidar com tais situações!


O momento à tanto ansiado, chegou.


A euforia, os festejos, a alegria foi apoteótica e durou, durou... bem noite dentro. Até às tantas. Até às quinhentas mesmo!
Quando surpresa das surpresas e pela plena calada da manhã daquela 2ª feira, de um maravilhoso rescaldo de tão apetecida, como de difícil e saborosa vitória; eis que o governo, diz-nos tão só, que a crise mais que real, é muito mais grave e que iremos, sofrer mais e durante muito mais tempo, a começar já hoje, com a aplicação de uma série de medidas, tão sérias como difíceis.
Como tal, a seguir à euforia transbordante, e com muitos ainda a dormir e outros, meio anestesiados dos exageros nocturnos; levaram à socapa, para não dizer: à falsa fé, com o aumento do IVA e necessariamente, com o poder de compra e a qualidade de vida a descer. Despertamos todos de repente – muito de repente, mesmo à bruta, pode-se dizer – acordados de um maravilhoso e extraordinário sonho, para caírem no grande pesadelo do nosso dia-a-dia.
Foi, de facto, de muito mau tom o que fizeram. Isso, não se faz! Acho mesmo, que aproveitaram a euforia reinante, gozando de alguma distracção e da letargia semi-geral, para a prossecução dos seus fins. Ao menos, podiam ter adiado uma semana, para que todos os benfiquistas pudessem ter essa semana de gozo e de deslumbramento.

E de poderem acreditar naquele seu velho sonho, de que o país também começaria a ultrapassar a crise, quando o Benfica finalmente fosse campeão. E zás, destroçaram assim, num ápice, esse sonho de tantos e com tantos anos de espera. Isso, de facto, não se faz!
Mas não – tem que ser já hoje, quanto mais depressa melhor. É já pela manhã, que as notícias e novas medidas têm que ser anunciadas. Assim, já todos vão ouvir as notícias do dia, bem misturadinhas – as más, com as boas, todas quentes e novas.
Não há direito! E pronto, lá se deu cabo do possível astral positivo, logo à nascença. Não se faz, de facto!
Volvidos mais uns tempinhos e lá foi, o tal ministro da tal medida “à vida”; ou melhor, à sua melhor vida, pois aquela não estava nada fácil. Mas, pelo menos pareceu ser mais coerente e com alguns princípios. Depois, é logo substituído por outro ainda mais competente; ou talvez, mais competentemente subserviente. E o povo, é que leva, como sempre, com o revés das desgraças e com as favas, ainda por cima.

Coitados de nós!
E sem a menor perda de tempo – no timing certo, mais uma vez – “inteligentemente”, distraem-nos com possíveis candidaturas presidenciais. E pronto, é o que temos! E temos isto hoje, mas também o que é que poderemos esperar para amanhã? Quais serão os próximos fair-divers? Porventura, têm que os criar! É que agora, também ainda só vamos na pré-época futebolística, sem termos ainda derrotas e vitórias, para nos entreter a atenção e nos distrair das “desgovernices” mais do que constantes.
Aparentemente, a crise do Benfica até está a ir no melhor caminho. E a outra? A do nosso país? Para quando a sua reviravolta? Quando é que nos podemos orgulhar da sua debelação?


É agora. Tem que ser. Força pessoal!

Inconfidências...


Para uma breve apresentação do livro, o que se poderá dizer? “Inconfidências e …”, não é um livro normal nem tão pouco será só mais um livro. Como anexo; apeteceu-me dar, digamos que um lamiré do muito que consta nesta obra. Digamos que uma volta, só para abrir o apetite… Aí vai: